Eu e a síndrome de querer o lugar dos outros por não saber o meu



Desde pequena eu sempre me interessei por diversas coisas: biologia, leitura, escrita, esportes, matemática, astronomia... Era tantos interesses que é normal entender como hoje eu faço duas faculdades ao mesmo tempo e continuo procurando algo que eu não sei o que é. Podem me chamar, como li há um tempo atrás, de uma pessoa multipotencial. O grande problema dessa característica tão fantástica a meu ver é que eu sou constantemente engolida por uma infinidade de ideias e aspirações. São tantos cliques de criatividade e curiosidade que realmente levei em consideração criar uma empresa para vender ideias (se quiserem, só entrar em contato kkkkk). Mas quando se olha ao redor e nota amigos e familiares encontrando seus devidos lugares, é interessante pensar em qual seria o meu.





Uma vez uma colega de classe falou do seu projeto com enzimas na sala de aula e eu, que nunca tinha trabalhado com enzimas antes, quis na hora saber qual era o laboratório e qual a orientadora. Outra vez, uma amiga comentou do seu trabalho de professora e outra, do seu interesse por design e, como de costume procurei a fundo e trilhei na cabeça o meu futuro através dessas profissões. Mas esses, embora me atraíssem, eram sonhos de outros, lugares de outros e felicidades de outros. Nada desperta essa completude que alguns relatam com seus trabalhos, porque eu sempre quero o muito, o diverso, o multipotencial. Inclusive, se eu fosse uma matéria, seria, na maior das certezas, Interdisciplinar.


As pessoas, em geral, mesmo as mais “perdidas”, costumam passar uma imagem ideal, como se soubessem exatamente quem são e o que serão. Na verdade, a sociedade em si nos questiona desde o início “o que seremos quando crescer”, então é natural escolhermos uma resposta fácil para não passarmos por julgamentos. Somos acostumados a resolvermos na adolescência qual A profissão que iremos seguir. E quando eu coloco esse A maiúsculo, é para que notem que é única, é um caminho que, embora possamos sempre muda-lo, não somos realmente lembrados disso, ou mesmo ensinados sobre a possibilidade de trilhar outros, senão o que escolhemos de início. Indo mais a fundo, não somos ensinados que podemos até trilhar mais de um ao mesmo tempo. E nessa constante cobrança do que fazer é que sempre me pergunto: “se eu cresci e ainda não sei o que sou, eu falhei?”. Assim, continuo me vendo em vidas de outros, em sonhos de outros, querendo o lugar de outros, porque tudo me atrai, mas até agora, nada me desperta como o frequente desejo de diversas coisas.


Esses dias andei pensando sobre tudo isso e notei que, talvez, o meu lugar seja o temível “em cima do muro”. E não digo isso de forma política, mas profissional. Na verdade, se eu for franca comigo mesma, estou em cima de vários muros, não escolhendo uma única direção de vida porque, para mim, a beleza do viver talvez não seja uma única coisa, mas a mistura delas. Uma vez, um professor meu da faculdade falou sobre a história dele, um homem já formado, com Mestrado, e nos disse que não sabia para onde estava indo, não sabia porque ele aceitava as oportunidades, não tendo um único caminho, só estava indo. Me identifiquei muito com esse relato, afinal, estou fazendo duas faculdades, tenho iniciação científica em Laboratório de saúde, já fiz curso online de Jornalismo e estágio em um Zoológico, amo esportes e a natureza, mas se vocês me perguntarem o que eu farei quando me formar, não haverá uma única resposta, mas um conjunto delas. Estou apenas indo. Simples assim. Estarei sempre buscando o novo e transformando meu ambiente de trabalho, seja lá qual for. Isso não significa que eu não tenho foco no que faço. Se me conhecessem, veriam que sou uma das pessoas mais focadas e determinadas profissionalmente, mas, por isso mesmo, não posso escolher uma única direção, mas sempre ser essa inovação em diversas possibilidades.

Está tudo bem não saber qual O meu lugar, já que tenho vários. E ás vezes isso pode assustar, mas se olhar pelo lado correto, serei sempre aquela pessoa que possui muitos conhecimentos, ideias, sonhos... Terei sempre um novo lugar a percorrer e a me desafiar. De forma mais resumida, terei e serei sempre o lugar mais feliz: o diverso. E, mesmo que pareça confuso, é único. É único não ter um único caminho!




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