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O que podemos finalizar sem nos abandonar?

Recemente estava pensando no porque demoro tanto a voltar aqui mesmo amando este mini lugarzinho que criei. Passei um tempo refletindo e até inventando desculpas, mas a verdade é mais simples: medo e culpa. Eu poderia dizer que por eu não estar sendo remunerada, já que terminei meu mestrado, qualquer atividade que não ajuda em casa parece me tirar tempo de procura exarcebada por um emprego. Entretanto, a conversa é mais profunda. Antes mesmo do término do mestrado, eu parei de escrever aqui, pois qualquer atividade que não fosse redigir uma longa dissertação me colocava em um estado absurdo de autocrítica.


Eu posso dizer que escrever o blog e publicar, mesmo que para poucas pessoas, me dá um medo paralisante. Mas devo ir ainda mais fundo e dizer que os últimos meses (ou anos) foram tão cheios de autoabandono que sentar e escrever sobre reflexões ou pensamentos incômodos seria mexer em tudo o que eu estava tentando não sentir.


É aí que eu chego no cerne da questão. Eu fui retirando tanto, deixando tanto de lado que nem percebi que esse tanto me fazia ser eu, era eu. Então, o que podemos finalizar sem nos abandonar?



Quando eu completei 21 anos fiz a minha primeira tatuagem. Era uma palavra simples: WRITE. Ou seja, escreva! Para eu sempre me lembrar que eu poderia colocar no papel qualquer confusão de alma. Que eu não precisava guardar e, ainda assim, eu guardei, melhor, eu escondi. Nem olhava para o meu braço, para a escrita em minha pele me chamando a acordar diariamente. Assim, eu abandonei a primeira parte da minha essência.


Eu nunca fui de sair muito, mas amava ter momentos sozinha ou com amigos em cafeterias, shoopings, cinemas, livrarias ou parques. Só que com a saúde mental e financeira beirando ao colapso, só saia para eventos extritamente necessários (com esforço). A maioria dos quais não me recarregava em nada. O problema nisso é que eu priorizava todo e qualquer evento que minha ausência fosse deixar alguém triste. Me esforçava, reduzia gastos… Mas as saídas que minha ausência ME deixaria triste, foram finalizadas. Assim, eu abandonei a segunda parte da minha essência.


É interessante notar que nenhum desses abandonos foram pensados criticamente. Para mim, foi um dia deixando de escrever aqui, e depois outro e outro… Até não lembrar mais deste espaço. Para mim, deixar de sair parecia a escolha certa pelo financeiro, mas eu não notava que continuava me esforçando para os outros. Com o tempo, meus dias se tornaram cheios do vazio, do esquecimento, tentando a todo custo me destrair da realidade com telas ou simplesmente dormindo.


Meu corpo ainda sente esses anos de abandono. Ainda é difícil voltar a me priorizar, a ficar acordada. Por isso, nada do que você finalizar pode ter estrita relação com o que te mantém vivo. E identificar o que te mantém aqui, no presente, é um exercício que tenho certeza que você deve fazer. Acredite em mim, nenhum abandono pode trazer tanto a perder quanto o próprio!

 
 
 

1 comentário


thalitak
thalitak
há 9 horas

uauuuu, como sempre tirando meu fôlego. Não canso de dizer o quanto eu me identifico e amo suas escritas!!! Prabenssssss 💗💗💗💗

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