Relacionamentos Monogâmicos e o limite do certo e errado

Uma vez, tive um relacionamento com uma pessoa bem diferente de mim. Éramos distintas em diversas pautas e, na grande maioria das vezes, nos complementávamos assim. Entretanto, a pessoa que estava comigo também tinha diferenças quanto ao que era considerado natural, saudável e fiel em um relacionamento monogâmico. Aos poucos, eu sempre tentava entender e dizer a mim mesma e a ela que éramos apenas divergentes e que, aquele era o seu jeito. E isso era verdade, mas também era difícil. Lembro-me de uma vez que eu não aguentei e disse que era muito complicado ser sempre compreensiva com tantas coisas que ultrapassavam o limite do certo. O grande problema aqui é que os parâmetros para o que fez a atitude dela ser errada eram os meus, e o usado para as ações dela serem certas, eram os dela. Não havia parâmetros nossos.

Dessa forma, fico me perguntando o que seria certo ou errado em um relacionamento monogâmico. A traição, o desrespeito para com o outro é pautado em que? No beijo, no sexo, ou no mais simples desejo?



Já ouvi um podcast um tempo atrás que falava sobre a poligamia. As pessoas que relatavam, diziam que a maior diferença entre relacionamentos monogâmicos e poligâmicos era o diálogo sobre os limites que se podia ultrapassar e os que não. No começo do namoro, elas sempre detalhavam bem tais limites. Pensando agora, acredito que concordo. Já tive amigos com relacionamentos poligâmicos e sempre havia as ditas “regrinhas”. Não pode conversar ou não pode transar... Mas e nos relacionamentos monogâmicos? É quase unânime que traição é beijar ou fazer sexo com outra pessoa. Mas, em geral, nada foi falado. E as outras coisas? Desejo é traição? Conversas com interesses são erradas? E pegar carona com pessoas que o outro tem ciúmes, é desrespeito?


São diversas possibilidades que não são conversadas e que, quando acontecem e nos afetam, tentamos resolver rapidamente o problema que foi criado. Mas até que ponto podemos exigir de alguém algo que não foi conversado? Até que ponto essas situações afetam a individualidade do outro? Ou ainda até que ponto alguém pode aguentar relevando tantas situações que ultrapassam seu limite? O outro deveria saber que é errado?


As afirmações implícitas em um relacionamento monogâmico, de conversas que nunca existiram, coloca em risco toda a paz dos envolvidos, sobretudo daqueles que realmente falam tudo que aconteceu para o outro. Afinal, somos pessoas diferentes, algumas ainda mais que outras. Temos limites diferentes, opiniões diferentes, coisas que podemos aguentar ou não. Se esses diálogos nunca existirem, se nunca for construída a noção de certo e errado em conjunto, não haverá acordos no relacionamento para poupar as partes incluídas. Os empasses serão criados para serem resolvidos depois da mágoa, do ressentimento, do clima ruim.


Não estou dizendo que saberemos de tudo que nos afeta, muitas coisas descobriremos vivendo o relacionamento, cada momento. Mas existem situações que, se nos conhecêssemos bem, poderíamos evitar, estabelecer limites para o respeito mútuo, o certo e errado em conjunto. Um relacionamento pautado no diálogo, no respeito e no companheirismo. Afinal, existem tantas dificuldades no mundo, tanto a si adaptar ao outro, já que cada um tem o seu jeito, que não precisamos de mais um problema devido a conversas inexistentes. Para mim, a relação, no seu sentido mais simples, está na comunicação.



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